MARATONA
TREINAMENTO, PENSAMENTO E ILUSÃO


Passado 1 semana da prova mais esperada no calendário de corridas para muitos, a Maratona do Rio esse ano foi realizada em um dia lindo, quente e como sempre cheia de estórias de realizações, superações e vitórias. Essa seria a minha 6ª Maratona. Para quem não sabe, MARATONA é o nome dado para uma distância especifica e no caso 42 quilomêtros e 195 metros. Menos ou mais do que isso NÃO é MARATONA. Uma prova a ser respeitada pela distancia, e no caso dessa específica, no asfalto, no Rio de Janeiro e beirando a praia em quase 97% do seu percurso. O Rio de Janeiro, com seu clima tropical nos surpreende muito! Existe no inverno, vários “veranicos”, e no último dia 18/06 foi um desse. Como é uma prova de estratégia, tudo estava já programado. Correria com o sol no rosto em todo percurso. Teria um alivio do km 22 ao 25 pois estaria no Viaduto do Joá e no Túnel, depois só alegria solar! Estratégia de alimentação, pace, hora do “pit stop” para eliminar liquido. Isso sempre faço no km 21 pois é o ultimo banheiro 
certo de estar aberto até o Leblon. Tudo certo, pois somente nesse percurso já realizei 3 Maratonas. Eu tinha brincado com amigos que seria a ultima que faria. Antes da largada afirmei isso e como sempre todos riram de mim pois é muito difícil não se inscrever na próxima quando abre as inscrições. Quero falar com vocês que parece que a Maratona é um ser vivente. Ela que escolhe quando você deve parar, e senti isso no percurso. Eu, como treinadora, não acho interessante alguém fazer uma prova dessas sem preparo e terminar depletado, quase a beira de uma síncope e falar que foi superação. Acho perigoso. Mas não estou aqui para julgar quem faz isso ou quem burla a prova, cortando caminhos e pegando a medalha no final. Sinceridade, não vejo graça em ter a posse de uma medalha que você não conquistou. Pela primeira vez em uma prova, tive que tomar a decisão de parar. Senti um mal estar que nunca senti na vida e me preocupei. Não foi muscular, caimbras ou outro fator físico limitante. Foi fisiológico. Corri por um tempo pensando nessa decisão. Você larga com uma multidão mas corre sozinho, e como falou Zatopek: “ Assim como nas corridas, as maiores batalhas da vida são travadas na solidão”, eu travei a minha por uns 2 kms. A difícil tomada de decisão de abandonar a prova alvo, a prova que você treinou por quase meio ano. E quando você é treinador, e passa a confiança para as pessoas que treinam com você, de nunca desistirem dos seus objetivos? A minha luta interna, e a duvida, cessaram quando tive a sensação de desmaio. O medo do desconhecido foi decisivo. Teria naquele momento que preservar a minha saúde. Parei..chorei...me frustei..pensei em voltar...chorei novamente, pois vi que faltavam somente 14 kms...o que são 14 km para pegar a tão sonhada medalha. A minha prova acabou ali. Em frente ao mar. Mais uma vez a Dama das Distancias falou ao meu ouvido, que quem decide se será a ultima ou não é ela. Não preciso dizer que ano que vem estarei de volta. Já fiz essa semana vários exames, apesar de fazer check up sempre meses antes da prova. Eu agradeço todos que me apoiaram, que acreditam em mim e no meu trabalho, aos meus alunos que fizeram essa prova e terminaram com louvor! Me realizei nas suas medalhas. Ao meu grande mestre Wanderlei de Oliveira, que durante 7 meses me orientou e me apoiou nessa batalha! Não duvide nunca do seu potencial! Respeite os seus limites e desafie-se!